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Renda fixa depois da eleição: o que aconteceu com os juros futuros, o Tesouro e o CDI
Em uma semana, um prefixado de 2032 foi de 12,9% para 15,4% ao ano e perdeu cerca de 10% de preço. O pós-fixado mal sentiu. O que mudou, o que não mudou e o que observar antes de mexer.

No último pregão antes do 2º turno, em 23 de outubro, o Tesouro Direto oferecia um prefixado com vencimento em 2032 a 12,90% ao ano. Na segunda-feira depois da eleição, a taxa foi a 15,78%. No fim da semana, estava em 15,38% — acima até dos 14,15% de antes do 1º turno.
Em outras palavras: a queda de juros que veio depois do 1º turno, e que contamos em "Prefixado ou IPCA+? O que muda na renda fixa em ano de eleição", foi devolvida inteira em um dia.
O que aconteceu nos juros futuros
Os juros futuros, os contratos de DI negociados na B3, são a aposta do mercado para o CDI dos próximos anos. É deles que o Tesouro, os bancos e as empresas tiram a referência para remunerar os títulos novos.
No dia 26, o DI para janeiro de 2031 saiu de 12,64% para 15,185% no fechamento: mais de 2,5 pontos num só dia. Pela manhã, chegou a encostar em 15,94%. Vários contratos bateram no limite de oscilação da B3, e a negociação precisou ser interrompida.
O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação daquela semana e recomprou cerca de R$ 14,8 bilhões desses papéis no mesmo dia. É uma operação comum em dia de estresse: garante que exista comprador quando muita gente quer vender ao mesmo tempo.
As taxas do Tesouro Direto, antes e depois
| Título | 2/10 (antes do 1º turno) | 23/10 (antes do 2º turno) | 26/10 | 30/10 |
|---|---|---|---|---|
| Prefixado 2029 | 13,83% | 12,77% | 15,40% | 14,89% |
| Prefixado 2032 | 14,15% | 12,90% | 15,78% | 15,38% |
| IPCA+ 2035 | IPCA + 7,55% | IPCA + 6,76% | IPCA + 8,02% | IPCA + 7,88% |
| IPCA+ 2050 | IPCA + 7,06% | IPCA + 6,48% | IPCA + 7,64% | IPCA + 7,27% |
| Tesouro Selic 2029 | Selic + 0,05% | Selic + 0,05% | Selic + 0,05% | Selic + 0,06% |
Quanto isso mexeu no preço
Quando a taxa sobe, o título que você já tem passa a valer menos, porque os novos pagam mais. É a marcação a mercado. Veja o que aconteceu com o preço de venda antecipada de cada título entre 23 e 30 de outubro:
| Título | Variação do preço em uma semana |
|---|---|
| Prefixado 2032 | −10,3% |
| IPCA+ 2035 | −8,3% |
| IPCA+ 2050 | −15,9% |
| Tesouro Selic 2029 | +0,2% |
A tabela mostra a regra que vale para qualquer título: quanto mais longo o vencimento, maior o tombo quando as taxas sobem. O IPCA+ 2050 perdeu mais que o prefixado 2032 mesmo com uma alta de taxa menor, porque o prazo é muito maior. E o pós-fixado, que acompanha a Selic, seguiu rendendo como se nada tivesse acontecido.
A eleição não mudou quanto o título paga a quem leva até o vencimento. Mudou quanto ele vale hoje — e isso só vira perda de verdade para quem vende antes.
E o CDI?
O CDI anda colado na Selic, que está em 13,75%. Antes da eleição, o mercado dava como quase certo um corte de 0,25 ponto na reunião do Copom desta quarta-feira, 4 de novembro. No fim do dia 26, a curva de juros já embutia manutenção agora e altas nas reuniões seguintes.
O Focus, a pesquisa semanal do Banco Central com o mercado, registrou a virada:
| Projeção para a Selic | Antes do 2º turno (23/10) | Depois (30/10) |
|---|---|---|
| Fim de 2026 | 13,25% | 13,50% |
| Fim de 2027 | 11,75% | 12,50% |
| Fim de 2028 | 10,00% | 11,00% |
A inflação esperada para 2027 também subiu, de 4,34% para 4,76%. Na prática, quem está no pós-fixado deve continuar recebendo CDI alto por mais tempo do que se imaginava há duas semanas.
O que observar antes de mexer
- O comunicado do Copom de 4 de novembro: mais importante que a decisão é o que ele disser sobre as próximas reuniões.
- Os sinais sobre as contas públicas no novo mandato: é deles que depende o prêmio que o mercado cobra nos títulos longos.
- O dólar: perto de R$ 5,49, ele pressiona a inflação dos próximos meses — e inflação mais alta segura os juros.
- O seu prazo: dinheiro que pode ser necessário antes do vencimento não combina com um título que oscila 10% numa semana.
Taxa alta é ao mesmo tempo oportunidade e aviso: ela paga mais porque o mercado está enxergando mais risco. Antes de trocar um título por outro, vale responder três perguntas — para que serve esse dinheiro, quando você vai precisar dele e quanto do patrimônio já depende do mesmo cenário. Fazer a conta com o vencimento e o imposto certos evita trocar um susto por outro.
Fonte dos dados: Tesouro Nacional (Tesouro Transparente), “Taxas dos títulos ofertados pelo Tesouro Direto” (30 de outubro de 2026).
Publicado em 3 de novembro de 2026
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Já com as tabelas oficiais aplicadas — é só colocar o seu número.
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Equipe Novare
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