Investimentos
Debênture, CRI ou CRA com deságio: vender agora ou esperar?
Títulos de crédito privado aparecem no extrato valendo bem menos que o investido. Antes de vender, vale entender por que o preço caiu — e o que transforma uma perda no papel em perda de verdade.

Quem tem debêntures, CRIs ou CRAs abriu o extrato nas últimas semanas e levou um susto: títulos que pareciam tranquilos aparecem valendo bem menos do que foi investido. Essa diferença entre o preço de hoje e o valor do título tem nome: deságio.
Por que o preço caiu se a empresa continua pagando?
Porque o extrato mostra a marcação a mercado: quanto alguém pagaria pelo seu título hoje, se você quisesse vender. Mesmo com a empresa pagando tudo em dia, o preço cai quando o mercado passa a desconfiar mais do crédito — ou quando sobra gente querendo vender ao mesmo tempo.
- Juros altos por muito tempo: com a Selic tendo chegado a 15%, empresas muito endividadas ficaram sem fôlego, e alguns pedidos de recuperação extrajudicial assustaram o mercado inteiro.
- Clima: o El Niño atrapalha o agro, que emite boa parte dos CRAs.
- Saques dos fundos: cerca de R$ 90 bilhões saíram de fundos de crédito privado em 2026. Para pagar os resgates, os gestores vendem títulos, o preço cai, o fundo rende pior, mais gente saca — e o ciclo se alimenta.
Deságio no extrato é perda no papel. Ela só vira perda de verdade quando você vende.
O que pesar antes de decidir
- Quem é o emissor: o risco é de a empresa não pagar, ou só de o preço oscilar até o vencimento? São problemas muito diferentes.
- O tamanho do deságio: vender com desconto grande realiza a perda inteira. Se o emissor é sólido e você pode esperar, o título caminha para o valor cheio no vencimento.
- O prazo: quanto mais curto o título, menos você depende de achar comprador — dá para esperar o vencimento.
- O spread de crédito, o prêmio que o título paga acima de um título público: ele voltou às máximas, o que na leitura da Nord mostra um preço que já embute muito pessimismo. Reduzir risco costuma fazer mais sentido quando esse prêmio está baixo.
- Onde e como vender: quem vende sozinho pela plataforma da corretora costuma receber as piores ofertas, e alguns títulos simplesmente não têm comprador.
A lição que fica: concentração
A crise mostrou que até empresa vista como sólida pode ir para a recuperação: uma grande do setor de combustíveis chegou lá com cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, e os títulos dela passaram a valer menos da metade. Como referência de prudência, a Nord usa limites de até 30% da carteira em crédito privado e até 5% em um mesmo emissor, preferindo prazos que não dependam de vender no meio do caminho.
Cada carteira é um caso: o mesmo título pode pedir venda para um investidor e paciência para outro. Uma análise independente, de quem não ganha comissão sobre o que você compra ou vende, ajuda a separar o que é susto do que é risco de verdade.
Fonte dos dados: Nord Investimentos, “Vale vender crédito privado com deságio alto ou esperar?” (22 de outubro de 2026).
Publicado em 23 de outubro de 2026
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Equipe Novare
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