Investimentos
Quanto do seu patrimônio está no Brasil?
Provavelmente mais do que o aplicativo mostra. A carteira diz 20% em dólar; o patrimônio inteiro, contando empresa e imóveis, pode dizer 7%.

Toda vez que o país entra num ciclo de incerteza — eleição, mudança de regra tributária, ruído institucional —, a mesma pergunta chega: “quanto eu deveria ter fora do Brasil?”
A pergunta é boa. O problema é o denominador que quase todo mundo usa para respondê-la.
O denominador errado faz a conta parecer melhor
Quando alguém diz que tem 20% em dólar, quase sempre está falando da carteira de investimentos — o número que aparece no aplicativo da corretora. Só que a carteira raramente é o patrimônio.
Pense num caso comum: um empresário com R$ 3 milhões na carteira, R$ 3 milhões entre a casa e uma sala comercial, e uma empresa que valeria por volta de R$ 2 milhões numa venda. Patrimônio de R$ 8 milhões, dos quais R$ 600 mil estão em ativos internacionais.
São os mesmos R$ 600 mil nos dois casos. Contra a carteira, eles são 20% e parecem uma proteção razoável. Contra o patrimônio inteiro, são 7,5%.
A pergunta não é “e se der ruim”. É “quanto de mim dá ruim junto?”
O problema não é o número. É a correlação.
Se fosse só uma questão de percentual, bastaria comprar mais dólar. O que torna a conta mais séria é que os pedaços esquecidos não são independentes entre si.
- A empresa fatura em real e depende do consumo brasileiro.
- Os imóveis são precificados em real e sofrem com juro alto.
- A renda — pró-labore, dividendos, aluguel — vem toda em real.
- E boa parte da carteira, mesmo a “diversificada”, está em ativos brasileiros.
Num cenário ruim para o país, esses quatro pedaços pioram ao mesmo tempo. Não é um risco diversificado em quatro lugares: é o mesmo risco, contado quatro vezes.
Fazer a conta pelo denominador certo muda a dose
Quando o objetivo passa a ser um percentual do patrimônio, e não da carteira, a matemática muda de tamanho. Para levar aqueles 7,5% até 15% do patrimônio, não basta ajustar um pouco a carteira — seria preciso que perto de 40% dela estivesse em ativos internacionais.
Isso assusta quem olha só a carteira, e faz sentido para quem olha o conjunto. É a mesma dose, medida no copo certo.
Vale dizer o que isto não é: não é recomendação de comprar dólar, nem previsão sobre o Brasil. É um convite a refazer uma conta com o denominador correto antes de decidir qualquer coisa.
Como calcular a sua exposição de verdade
- Some tudo: carteira, imóveis, participação em empresas, previdência, e o que estiver em nome da holding.
- Marque cada item pela moeda e pelo país do risco — não pelo lugar onde está custodiado. Ação de empresa brasileira negociada lá fora continua sendo risco Brasil.
- Divida o que é internacional de verdade pelo total. Esse é o seu número.
- Só então decida se ele está onde deveria, considerando prazo, objetivo e de onde vem a sua renda.
Quase todo mundo que faz essa conta pela primeira vez se surpreende. Não porque estava errado — mas porque estava medindo um pedaço e achando que era o todo.
Publicado em 22 de setembro de 2026
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Ver a análise de carteira da Novare
Já com as tabelas oficiais aplicadas — é só colocar o seu número.
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